Berrar aos céus!
Berrar aos céus!
Da TV cabo, nada de novo
domingo, 25 de Novembro de 2007
Sempre pensei na TV cabo como uma das grandes oportunidades perdidas em Portugal.
A TV cabo tinha uma extensa cobertura de banda larga nas grandes cidades numa altura em que a cobertura de ADSL era insipiente.
Ainda por cima, a infra-estrutura foi montada para vender canais de TV, pelo que o custo extra de vender Internet deveria ser muito baixo.
Ou seja, a TV cabo estava em posição de oferecer Internet de banda larga a um custo mínimo aos seus assinantes de TV. Mas nunca o fez, para evitar competir com a rede fixa da Portugal Telecom.
Agora que a TV cabo deveria ser gerida de forma independente da PT, decidi ler o folheto que o promotor comercial Israel Rosa atenciosamente depositou na minha caixa de correio.
A capa parece interessante: a velocidade mínima passou de 256 Kbps para 2 Mbps, para um preço desde €20/mês (desprezando o cêntimo).
Continuando a leitura, só se pode ter Internet tendo também televisão. O preço mínimo afinal é de €35/mês, quase o dobro.
Mas uma leitura mais cuidadosa, incluindo as "letras pequeninas", muda significativamente a oferta. Afinal, os 2 Mbps são uma promoção de 6 meses. E os €35 têm um desconto de €8 no primeiro ano.
Resumindo:
•Nos primeiros 6 meses, paga-se €35 por 2 Mbps
•Nos segundos 6 meses, paga-se €35 por 512 Kbps
•No segundo ano, paga-se €43 por 512 Kbps
O problema é que a palavra promoção, que qualquer loja da esquina exibe de forma proeminente, só aparece nas letras pequeninas. E o contrato obriga a 12 meses de permanência, garantindo 6 meses de irritação aos futuros clientes.
Ou seja, a nova TV cabo ainda mantém todos os maus hábitos da velha TV cabo, preferindo enganar os seus futuros clientes a fazer-lhes uma proposta honesta.
Não gostava de me chamar Israel Rosa daqui a seis meses. Ou talvez a TV cabo prefira contratar os seus promotores comerciais por períodos de 6 meses...