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    <title>Blog de Joaquim Baptista</title>
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    <description>Aqui me vou queixar dos males que varrem o mundo... mas não me vou limitar apenas a isso.</description>
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      <title>Blog de Joaquim Baptista</title>
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      <title>Um futuro para os pequenos circos nómadas</title>
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      <pubDate>Sat, 29 May 2010 21:00:26 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2010/5/29_Um_futuro_para_os_pequenos_circos_nomadas_files/20100529-223022.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object004_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:79px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Fotografei e assisti ao espectáculo do Circo Nómada na Póvoa de Santa Iria. Perguntei a duas artistas à entrada do circo se podia fotografar. Mal sabia eu na altura que tinha acabado de falar com metade do elenco adulto do espectáculo! Quatro artistas adultos, uma criança e dois ajudantes asseguraram hora e meia de entretenimento sem sobressaltos, desmultiplicando-se em múltiplos papéis. De acordo com a nova lei vigente, o Circo Nómada não tem animais.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No fim do espectáculo os artistas pediram-me as fotografias e conversámos durante algum tempo. Queixaram-se da falta dos animais, que atraíam as pessoas ao circo, e eu recordo a peregrinação de crianças em 2007 neste mesmo sítio a ver os animais da Circolândia e do Circo Chen. Recordam como antigamente o circo era uma novidade na província, com as mulheres do campo a perguntar como era Lisboa, coisa que a televisão e as viagens fáceis resolveram. Aliás, hoje o circo concorre com a programação da TV, especialmente quando há eventos especiais na TV.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os circos sempre tiveram animais, mas isso implicava ter o custo de os alimentar e transportar. Embora sejam uma atracção, a maioria dos animais tem uma prestação limitada, em que a maioria só faz parte de um número. E os magníficos documentários sobre a vida selvagem da BBC permitem a todos ver os animais no seu ambiente natural, embora não ao vivo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O Circo Nómada está a experimentar outro ponto de equilíbrio: sem animais, o espectáculo pode ser executado por um pequeno número de artistas polivalentes, de uma forma que me lembra alguns dos espectáculos de rua que vi em Tavira, especialmente os Circ Panic em 2007. Aliás, a principal diferença é a variedade de números “tradicionais” do Circo Nómada, executados numa tenda com iluminação cuidada... mas consigo facilmente imaginar qualquer dos dois casais do Circo Nómada a apresentar um espectáculo digno de Tavira!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Embora os apresentadores fossem anunciando número atrás de número da forma tradicional, simulando a entrada de artistas diferentes, acho que poderiam ter feito exactamente o contrário, realçando a polivalência dos artistas e a continuidade dos números. Aliás, as primeiras entradas em palco do “mimo” fizeram-me lembrar um espectáculo que vi no Coliseu dos Recreios com o famoso palhaço &lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Oleg_Popov&quot;&gt;Oleg Popov&lt;/a&gt;, que fazia um gag antes de cada número, nem que fosse um gag de dez segundos, mantendo uma presença constante. Fiquei a pensar que a figura do “mimo” poderia ser valorizada no espectáculo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas voltemos aos animais que atraem pessoas ao circo. Há muitos anos, bastava o circo chegar à cidade para a notícia se espalhar. Podia-se observar os animais de borla, mas pagava-se o espectáculo para os ver actuar e para ver... os palhaços!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Acho que os palhaços atraem ainda mais as crianças que os animais, de tal forma que a MacDonalds tem um palhaço à porta de cada loja. Mas o Circo Nómada não tem um palhaço à entrada, nem há nada para ver de borla.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sugiro que um circo sem animais poderia executar um número de rua como chamariz para o espectáculo, que pode ser tão simples como mostrar os palhaços onde haja crianças. Por exemplo, talvez os palhaços possam distribuir os convites criança+adulto à porta das escolas e dos centros comerciais?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Seja como for, acredito que o Circo Nómada está no caminho certo, bebendo ideias no teatro e no espectáculo de rua para reinventar o pequeno circo nómada... e gostaria de acreditar que haverá sempre trabalho para os bons artistas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Caso o leitor queira comentar estas ideias, sugiro que o faça no &lt;a href=&quot;http://boards5.melodysoft.com/app?ID=CIRCOEVNOVOFORUM#&quot;&gt;novo fórum do CIRCOEV.&lt;/a&gt;</description>
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      <title>2º Encontro Como podemos educar melhor?</title>
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      <pubDate>Sun, 23 May 2010 14:30:23 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2010/5/23_Como_podemos_educar_melhor_%28parte_2%29_files/20100523-153831.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object000_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:79px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Após um primeiro encontro de pais prometedor, que todos os participantes louvaram e em que vários participantes manifestaram interesse em encontros futuros, tentámos um segundo encontro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No Domingo, 23 de Maio, reuniram-se cerca de 11 pessoas como resposta aos convites da APDM. Guiados pelo facilitador, os participantes apresentaram-se e propuseram os seus temas particulares.&lt;br/&gt;Como surgiram dois temas que interessavam à maioria dos participantes, negociou-se a agenda para facilitar a participação. Todos queriam conversar sobre o tema “a importância da brincadeira na educação” mas, para fomentar a interacção individual, formaram-se dois grupos separados.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Antes do intervalo no bar do CPCD, os dois grupos juntaram-se, leram as notas tiradas em cada grupo, e trocaram impressões.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Após o intervalo, os participantes escolheram dois temas diferentes: um tema resultou da reunião das propostas “Educar ≠ ensinar” e “Educar: passar valores, passar conteúdos”; o outro tema resultou das propostas “De quem é a culpa?” e “Justiça na escola”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Resultado do 2º encontro (PDF, 14 páginas)&lt;br/&gt;Às 18h15, o grupo juntou-se na roda final. Leram-se as notas de cada grupo, após o que foi dada a palavra a cada um individualmente. Os participantes manifestaram agrado pelo encontro e&lt;br/&gt;reconheceram que não teriam existido as mesmas conversas se as mesmas pessoas se encontrassem noutro contexto. O encontro terminou às 19h30, mas alguns participantes continuaram a conversa no exterior do CPCD até às 22h00.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em resumo, foi um encontro de líderes da comunidade local. Foi um privilégio poder proporcionar o espaço aberto que permitiu aos participantes conversar sem reservas e fomentar o estabelecimento de relações duradoiras entre todos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tal como no primeiro encontro, houve um encontro paralelo entre duas crianças cujos pais participaram no encontro. Houve muita brincadeira que culminou na montagem de uma casa com televisão e outras amenidades, usando os materiais disponíveis.</description>
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      <title>Como podemos educar melhor?</title>
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      <pubDate>Sun, 28 Mar 2010 14:30:37 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2010/3/28_Como_podemos_educar_melhor_files/droppedImage.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object008_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:79px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Sexta-feira, 26 de Fevereiro, a Aline comentou sobre as dificuldades que estava a ter em conseguir uma reunião de pais com crianças deficientes no agrupamento de escolas Póvoa de Dom Martinho (na Póvoa de Santa Iria). A dificuldade dela em conseguir um encontro formal lembrou-me a minha experiência no &lt;a href=&quot;http://www.wikisym.org/ws2008/index.php/Main_Page&quot;&gt;WikiSym 2008&lt;/a&gt; no Porto, onde uma desconferência (tentativa de tradução de unconference) foi eficaz em criar montes de pequenas e grandes conversas à margem da conferência formal (&lt;a href=&quot;http://www.wikisym.org/ws2008/index.php/Photos&quot;&gt;ver fotos&lt;/a&gt;). Não que a conferência fosse assim tão formal; um dos participantes cantou os seus slides!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Rapidamente me vi ultrapassado pelos acontecimentos, no que só posso considerar um encontro de boas-vontades conseguido pela Aline: na terça-feira seguinte estava a apresentar a ideia ao João Santos e ao Miguel Cruz (presidente e vice-presidente da &lt;a href=&quot;http://www.apdm.pt.vc/&quot;&gt;APDM&lt;/a&gt;), enquanto o Vitor Ribeiro (presidente do &lt;a href=&quot;http://www.cpcd.pt/&quot;&gt;CPCD&lt;/a&gt;) já tinha disponibilizado a sala.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Entretanto, fui lendo coisas sobre o processo por detrás do encontro (&lt;a href=&quot;http://www.openspaceworld.org/&quot;&gt;open space technology&lt;/a&gt;), comprei o livro do Harrison Owen (inventor do processo), e fui preparando os materiais a usar no encontro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No Domingo, 28 de Março, reuniram-se cerca de 20 pessoas como resposta aos convites da APDM e aos telefonemas da Aline. Embora não tenha sido necessário, o espaço poderia ter acomodado muito mais gente, pois o CPCD tinha garantido as condições logísticas necessárias.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Guiados pelo facilitador (eu!), os participantes apresentaram-se e propuseram os seus temas particulares. Três participantes, porventura surpreendidos com a abordagem do encontro ou sem a necessária disponibilidade de tempo, saíram após a elaboração a agenda.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Após a consideração de todos, o grupo dividiu-se em duas rodas. O grupo mais pequeno (tema 1) acabou mais cedo e juntou-se ao grupo maior (tema 2).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foi pedido aos grupos que tomassem notas em folhas próprias. No grupo maior, acabou por haver três pessoas a tomar notas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando a campainha tocou às 18h15, os participantes manifestaram surpresa pela passagem rápida do tempo. Foi dada a palavra a cada um individualmente, tendo os participantes manifestado agrado pelo encontro e interesse em participar em mais encontros semelhantes. Em particular, dois participantes propuseram temas que acabaram por não ser discutidos no grupo maior. O encontro terminou às 19h00, mas alguns participantes continuaram a conversa no bar do CPCD até às 20h00.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Resultado do encontro&lt;br/&gt;Apresentação do CPCD&lt;br/&gt;Em resumo, neste primeiro encontro aconteceu o que podia acontecer com um grupo de pessoas que não se conhecia. Normalmente, estes encontros duram dois dias e meio e têm uma participação mais abrangente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foi um privilégio poder proporcionar o espaço aberto que permitiu aos participantes conversar sem reservas. Agradeço a todos os que tornaram possível o encontro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A conversa continuará no fim de Maio, após a assembleia geral da APDM.</description>
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      <title>Seminário os afectos e a sexualidade na deficiência</title>
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      <pubDate>Fri, 20 Nov 2009 09:00:40 +0000</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2009/11/20_Seminario_os_afectos_e_a_sexualidade_na_deficiencia_files/20091120-155548.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object609.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:79px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;O seminário decorreu no auditório da &lt;a href=&quot;http://sfra.pt/&quot;&gt;Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense&lt;/a&gt;, organizado pelas seguintes instituições:&lt;br/&gt;	•	&lt;a href=&quot;http://www2.cm-vfxira.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=36249&quot;&gt;Município de Vila Franca de Xira (Acção Social).&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;	•	&lt;a href=&quot;http://aipne.no.sapo.pt/&quot;&gt;AIPNE, Associação para a Integração de Pessoas com Necessidades Especiais.&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;	•	&lt;a href=&quot;http://apj.blogs.sapo.pt/&quot;&gt;APJ, Associação Projecto Jovem.&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;	•	&lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa.&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;	•	&lt;a href=&quot;http://cercitejo.org/&quot;&gt;CERCI Tejo.&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;09:00 — Recepção do seminário.  O número de pessoas surpreende pela positiva. Esperava umas dúzias de pessoas numa pequena sala, mas o facto de a inscrição incluir uma mala própria (oferecida pela &lt;a href=&quot;http://www.atral.pt/&quot;&gt;AtralCipan&lt;/a&gt;) implica uma organização muito mais ambiciosa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No fim do dia soube por uma organizadora que compareceram 264 pessoas, incluindo 14 extra.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;9:30 — Abertura do seminário por representante da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. A anunciada presidente Maria da Luz Rosinha não pôde vir. Pergunto a mim próprio se ela saberia a dimensão da assistência.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;9:50 — Dr. Adalberto Fernandes do &lt;a href=&quot;http://www.inr.pt/&quot;&gt;Instituto Nacional para a Reabilitação&lt;/a&gt; deu o tom para o dia ao mostrar que vão falar pessoas com trabalho no terreno. Elogia a câmara pelo caminho feito e pela oportunidade do seminário. Elogia também Rogério Cação (na assistência) a quem chama “caixeiro-viajante da reabilitação”. Refer várias situações de exclusão que sublinha com “Isto irrita-me!”, uma referência ao livro “&lt;a href=&quot;http://html.editorial-caminho.pt/show_produto__q1obj_--_3D35863__--_3D_area_--_3Dcatalogo__q236__q30__q41__q5.htm&quot;&gt;Grito da Gaivota&lt;/a&gt;” por Emmanuelle Laborit, que recomenda. “Quando amamos reinventamos tudo”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;10:00 — Dr Afonso Albuquerque, psiquiatra e sexólogo, apresenta “A diversidade da sexualidade humana”. Refer que os adolescentes americanos são expostos a 14000 situações de sexo por ano na televisão. Adolescentes portugueses devem ser semelhantes. Refer “a crença que se falarmos de sexo com adolescentes o estamos a encorajar”. Nota que mesmo no meio académico existe preconceito em estudar a sexualidade humana. Existe relutância em estudar e compreender o desenvolvimento da sexualidade das crianças, que poderia permitir compreender e explicar a diversidade de comportamentos dos adultos. Contudo, “Os sexologistas não se devem pronunciar sobre a complexidade emocional do amor, mas apenas sobre aspectos eminentemente práticos”. Refer que apenas 1% dos alunos do ensino básico nunca usaram a Internet, ou seja, que 99% já o fizeram. E a maioria tem computador em casa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A apresentação foi apenas falada, tornando-se mais difícil de seguir. Por outro lado, o apresentador tinha 73 anos (37 ao contrário). A revelação da idade criou problemas de consciência aos apresentadores seguintes, que se sentiram obrigados a mencionar a sua própria idade...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;10:25 — Cristina Rodrigues, &lt;a href=&quot;http://www.cercilisboa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Lisboa&lt;/a&gt;, apresenta “Sexualidade e deficiência, uma abordagem sistémica”. Refer que “a sexualidade só desaparece quando desaparece a vida” e “a sexualidade é um problema construído que deve ser desconstruído.” Sexualidade é natural. “O estatuto de adulto é frequentemente negado aos deficientes, negando-lhes a sexualidade e a intimidade.” A família precisa de ajuda para aceitar a sexualidade do deficiente, especialmente as famílias mono-parentais. Amar e ser amado é um desejo e um direito de todos, independentemente do nível intelectual de cada um. “É preciso operacionalizar a sexualidade, com aspas”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Contudo, também refere que “A eficácia da intervenção é influenciada pelo grau de preparação dos profissionais” e que “é fundamental uma articulação e cooperação entre todos os elementos que interagem no sistema relacional do sujeito”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fico com a ideia que a Cristina identificou o problema mas só consegue sugerir generalidades para a solução, que implicaria uma coordenação perfeita entre todas as entidades e pessoas que rodeiam o deficiente, incluindo a mítica “sociedade civil”. Parece-me um mito semelhante a outros que encontrei na minha vida profissional.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;10:50 — Nas perguntas após as intervenções, uma mãe pergunta como lidar com o seu filho quando ele exibe o sexo em casa. Alguém pergunta a opinião do painel sobre vasectomia e histerectomia. Comprovando a variedade da assistência, um comissário da PSP pergunta se é possível determinar intenções em situações de abuso sexual. Agrada-me saber que a PSP está atenta e que achou por bem participar neste seminário.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Carlos, monitor de serigrafia na “minha” &lt;a href=&quot;http://www.appacdm-lisboa.org/&quot;&gt;APPACDM Lisboa&lt;/a&gt;, contrapõe que exibir o sexo pode ser uma situação de orgulho tão natural como a criança que se orgulha de ter comido a colher de sopa. A tese parece polémica para a assistência, mas é completamente natural para mim e para a minha esposa (pais do Rafael que frequentou “A Tartaruga e a Lebre” e o centro de recursos Bonny Stilwell). Prova-se que há um “pensar da APPACDM” que espero ainda subsista na cabeça de muitos técnicos, mesmo após a associação ter sido desmantelada. Tenho saudades das minhas “tropas de choque”!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;11:00 — No intervalo, há mesas no átrio com trabalhos realizados por utentes da &lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://cercitejo.org/&quot;&gt;CERCI Tejo&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://aipne.no.sapo.pt/&quot;&gt;AIPNE&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://apj.blogs.sapo.pt/&quot;&gt;APJ&lt;/a&gt; (infelizmente não fotografada).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;11:15 — Luís Correia, &lt;a href=&quot;http://www.cerciag.pt/&quot;&gt;CERCIAG Águeda&lt;/a&gt;, apresenta “Sexualidade na deficiência mental”. É um utente com deficiência ligeira a apresentar...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;11:45 — Apresentação do filme da &lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa&lt;/a&gt; (produzido pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira) “Sexualidade, o eu institucional”. Choca-me que a instituição chame “clientes” aos deficientes, embora compreenda o ponto de vista da gestão, e a forma como qualquer serviço tem clientes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O filme tem testemunhos de técnicos mas acima de tudo, de utentes. Que pedem “Miminhos e carinhos para as pessoas entenderem que somos iguais aos outros, a vocês!” ou “Perguntei ao chefe da residência se me podia levar às meninas”. Subitamente, tornou-se óbvio (creio que para todos) do que é que se estava a falar. Depois de ver o filme, deixa de ser possível para a audiência ignorar o ponto de vista dos próprios deficientes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;12:00 — Rogério Cação apresenta “O sexo e a (c)idade”. Provoca com “Como às vezes é difícil fazer amor em Portugal!” notando que “Há quem se esqueça que os nossos eternos meninos vão crescendo, vão avançando na idade e noutras coisas...” Responde à Drª Cristina (que disse “É preciso operacionalizar a sexualidade, com aspas”) dizendo que está de acordo, mas sem as aspas. A apresentação continua com muitos “soundbytes”:&lt;br/&gt;	•	Ter afecto sem o poder partilhar com outros é como ser completamente livre numa ilha deserta.&lt;br/&gt;	•	Porque é que não perguntamos às pessoas com deficiência o que pensam destas coisas? Será que temos medo das respostas?&lt;br/&gt;	•	O que está a acontecer nesta sala hoje não é típico do País. É uma pedrada no charco.&lt;br/&gt;	•	Vasectomias? A que propósito é que a família deve decidir pela pessoa?&lt;br/&gt;	•	Demónios tarados ou anjos assexuados? A forma como vimos os nossos “meninos” de 20, 30, 50 anos...&lt;br/&gt;	•	Nos últimos 30 anos perdemos demasiado tempo com isto. Agora há é que ser prático!&lt;br/&gt;	•	Contra factos, não há argumentos: quanto muito sentimentos!&lt;br/&gt;	•	Num país onde a Educação sexual anda há anos para ser implementada nas escolas, como é que queremos falar de sexo na deficiência?&lt;br/&gt;	•	Conta uma história de masturbação, quando uma freira apanha o Óscar num arbusto que se mexia demais, e o leva ao director da escola. O Óscar pergunta: “A mão não é minha? A ... não é minha? Não estou no intervalo? Então?”&lt;br/&gt;	•	As pessoas não ficariam melhor com outro enredo ou com outro final?&lt;br/&gt;	•	Para mudar temos de nos conseguir instalar no desconfortável.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Recomenda os filmes &amp;quot;&lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt1289449/&quot;&gt;Yo Tambén&lt;/a&gt;&amp;quot; (espanhol) e &amp;quot;&lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt0799788/&quot;&gt;A outra margem&lt;/a&gt;&amp;quot; (português). Remata dizendo que “só podemos desejar a todos que façam o favor de ser o mais felizes possível!”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;12:45 — No período de perguntas, uma instituição assume corajosamente que facilitam a chave de um quarto na instituição a alguns casais e até que “Levámos um jovem às meninas. Fizemos uma investigação das casas existentes e explicámos a situação...”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;14:30 — No reinício dos trabalhos, a organização anuncia que o &lt;a href=&quot;http://inr.pt/&quot;&gt;INR&lt;/a&gt; disponibilizou um livro sobre sexualidade dos deficientes a parte da audiência. Quem não tem o livro pode pedi-lo para a &lt;a href=&quot;mailto:inr@seg-social.pt/&quot;&gt;inr@seg-social.pt&lt;/a&gt;. o INR também disponibiliza um livro sobre a linguagem gestual portuguesa (&lt;a href=&quot;http://www.inr.pt/category/1/14/edicoes&quot;&gt;entre outras edições&lt;/a&gt;).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A moderadora da sessão, Goretty Ribeiro, cita uma frase de Adalberto Fernandes que a marcou: “Aprendi a ouvir com os surdos, aprendi a ver com os cegos”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;14:40 — Jorge Cardoso, &lt;a href=&quot;http://www.egasmoniz.edu.pt/iscsem/index.html&quot;&gt;ISCSEM&lt;/a&gt;, apresenta “Sexualidade na deficiência física, porque não?” Enumera as várias dificuldades para um deficiente físico, especialmente quando a deficiência é adquirida por doença ou acidente. Se o deficiente aceitar o seu “handicap”, pode ultrapassá-lo de forma a que, qualitativamente, a sexualidade seja tão gratificante quanto era.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;15:20 — Luisa Rodrigues da &lt;a href=&quot;http://www.fundacaoliga.pt/&quot;&gt;Fundação LIGA&lt;/a&gt; apresenta “Sexualidade, afectos e comunicação”. Refere um caso de falta de informação: “Oh senhora doutora! Eu quero fazer amor, e sei que são precisas duas pessoas. Só não sei é como!”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;16:00 — Último painel do dia. O iPhone está a 20% de bateria, vou ter que poupar nas fotos...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Helena Matos, &lt;a href=&quot;http://aipne.no.sapo.pt/&quot;&gt;AIPNE&lt;/a&gt;, apresenta “Uma história de vida na 1ª pessoa”. Diz que “Muitos destes jovens planeiam casar e sonham ter filhos.” E é o utente Paulo Neves que, muito nervoso, revela que “A minha primeira vez foi aos 24 anos”. Mais tarde namorou outra rapariga (Alexandra) durante 5 meses antes de se juntar com ela. A relação durou 3 anos. A Helena salienta que a relação acabou como outras acabam, e o paulo salientou que sempre teve o apoio dos colegas e da instituição. O Paulo referiu dificuldades quando se juntou com a rapariga, mas não concretizou.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Andreia Antunes, &lt;a href=&quot;http://apj.blogs.sapo.pt/&quot;&gt;APJ&lt;/a&gt;, apresenta “O meu corpo e a minha sexualidade”. Refere que o trabalho dos psicólogos no gabinete é frequentemente desfeito pelos pais em casa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Vera Rosa, &lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa&lt;/a&gt;, apresenta “Porque é que tu podes e eu não?” Conta o caso da utente (com doença degenerativa) que lhe fez a pergunta e a pôs a pensar. Diz “Informação é poder. Temos de poder apoiar quando a família é autista.” E também quando a escola é autista, penso eu relembrando as “tropas de choque” da APPACDM.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Menciona “A repressão da sexualidade no deficiente mental altera o seu equilíbrio emocional”, tornando-o agressivo contra pessoas ou objectos. Depois, refer “a imperiosa vontade do direito de tutela...” e que “a educação sexual familiar flui entre a repressão e a negação”. Junto tudo na minha cabeça, e creio ter encontrado a motivação por detrás da realização do próprio seminário, aquilo que trouxe estes técnicos até aqui.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Luísa Beato, &lt;a href=&quot;http://cercitejo.org/&quot;&gt;CERCI Tejo&lt;/a&gt;, apresenta “Os afectos e a descoberta da sexualidade”. Apresentação com “comics” ilegíveis. Diz que “Os adolescentes precisam de algo mais que conhecimentos de Biologia”. Penso que os conhecimentos de Biologia constituem tudo o que a escola parece capaz de dar aos alunos normais.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;17:00 — Durante as perguntas, Adalberto Fernandes arranca duas vezes palmas à audiência dizendo “Associações têm que criar a escola dos pais e famílias” e “Às vezes era melhor fechar as instituições e trabalhar de raiz as famílias”. Em resposta, uma painelista comenta que há apenas 10 pais inscritos. Eu penso que este formato de seminário só é acessível a pais com formação superior, que serão ainda uma minoria em Portugal. É a demografia que temos!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma painelista surpreende-se quando descobre que o microfone da mesa é móvel e comenta: “Eu e as novas tecnologias... Limito-me ao PowerPoint...” Suspeito que há aqui a oportunidade de um estudo psicológico da relação entre humanistas e a tecnologia, mas suspeito também que não poderá ser feito por um psicólogo...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma painelista conta a história de dois utentes que namoram há 7 anos (ou mais) sem os pais saberem. Nas palavras das “sogras”, uma delas não deixa a filha namorar com “um esquesito”; a outra não deixa o filho namorar com “uma doida”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um participante na assistência sugere que os regulamentos de cada instituição podem ser revistos de forma a clarificar a posição de cada instituição face à sexualidade, forçando as famílias a aceitar essa posição.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;SÁBADO, 21 DE NOVEMBRO&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;10:00 — Maria Goretty Ribeiro da &lt;a href=&quot;http://apj.blogs.sapo.pt/&quot;&gt;APJ&lt;/a&gt; apresenta “As funções neuropsicológicas do deficiente e a sua sexualidade”. Refer que mais de 50% dos deficientes com paralisia cerebral não têm déficit cognitivo, mas as limitações físicas inerentes à deficiência limitam o desenvolvimento mental. Pedindo desculpa pela frontalidade, afirma que “os deficientes com paralisia cerebral devem usar imaginação para inventar posições que não foram pensadas nem sequer no Kama Sutra”. Mas salienta os preconceitos das famílias “Ainda sou do tempo em que me diziam que o sexo é um nojo. O tanas!” Finalmente, “Tive o prazer de ser mãe”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;10:30 — Luís Carlos da &lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa&lt;/a&gt;, apresenta “Direito a decidir”. Refer que a CERCI Póvoa tem melhores instalações mas deficientes internados não beneficiaram da mudança em termos sexuais. A CERCI impõe regras de comportamento. Direitos dos deficientes não são respeitados em termos sexuais nem em quase nada. Contudo, “Temos problemas de comportamento diários por causa da sexualidade”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Margarida Martins, advogada da &lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa&lt;/a&gt;, continua a apresentação mencionando a convenção dos direitos das pessoas com deficiência aprovada pela ONU em 2006 e assinada por Portugal em 2007. Explica que podem ser interditos do exercício dos seus direitos adultos que se mostrem incapazes de governar as suas pessoas e bens. Os lares de idosos têm problemas semelhantes às instituições de deficientes em termos de sexualidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Descreve uma relação entre utentes que a instituição denunciou à Justiça pois a instituição tem a vigia dos utentes e poderia ser responsabilizada civil e criminalmente. Finalmente, realça que a censura da sexualidade dos deficientes é uma questão moral.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Durante a fase de perguntas, uma agente da PSP questiona sobre a responsabilidade dos pais que abandonam deficientes. Advogada responde que existe crime de abandono.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;12:00 — António Tomé, pai e neurologista, apresenta “A expressão dos afectos e da sexualidade — testemunhos”. Nota que 90% dos indivíduos com deficiência têm dificuldades de abstracção. Uma explicação que faria sentido para uma pessoa normal não faz sentido para um deficiente, que não consegue chegar às mesmas conclusões. Realça que há problemas reais: algumas estatísticas sugerem que 80% das mulheres com défice ligeiro e 50% dos homens são abusados sexualmente antes dos 18 anos. A educação sexual é um processo contínuo e não uma conversa única. Apresenta alguns casos da sua experiência pessoal:&lt;br/&gt;	•	Sandra, 28 anos, défice mental ligeiro, actividade profissional indiferenciada mas com muitas faltas, casou, teve um filho, ficou viúva pouco depois. Um segundo casamento tornou-se problemático com abusos do marido e da sua família. A avó ficou responsável por criar o neto, suportar a filha e apoiar a família do genro.&lt;br/&gt;	•	Uma rapariga exibicionista fez uma histerectomia a pedido da mãe e com o acordo do apresentador.&lt;br/&gt;	•	Paulo, 15 anos, filho do apresentador, tem um pedido: “Quero uma fotografia de ti e da mãe a beijarem-se na cama nus”. Pai confessa que ainda não sabe como vai lidar com o assunto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É importante manter uma cumplicidade. Não gozar com a situação porque nós fomos gozados.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;12:20 — Maria José, deficiente visual, mãe de um utente da &lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa&lt;/a&gt;, apresenta o caso do seu filho Nuno, que se complica com a deficiência da mãe e do pai (parcialmente cego). O Nuno pede à mãe dinheiro para ir às “meninas”, incentivado por um amigo taxista. Na CERCI persegue as meninas mas, falhando isso, persegue rapazes, especialmente os que não se conseguem defender. Quando uma colega da mãe, divorciada, dormiu em casa, o Nuno não dormiu a noite toda, rondando a porta do quarto da colega: “Oh Carla, deixa-me ir! É só hoje!” A mãe interviu com “Oh filho, vai à casa de banho”. Quando vê uma rapariga: “Aquela rapariga é mesmo boa! Oh mãe, deixa-me ir ter com ela!” A mãe termina dizendo “Como é que eu há-de explicar? Eu sou de acordo que ele tenha relações sexuais. Eu sou deficiente e consegui fazer a minha vida”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Vera Rosa, psicóloga da &lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa&lt;/a&gt;, resume a sua avaliação do Nuno, 28 anos: “Sabe o que pode e não pode fazer, e onde. Mas não controla os seus impulsos.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;12:35 — António Martins, &lt;a href=&quot;http://www.elosocial.org/&quot;&gt;Elo Social&lt;/a&gt;, “Viver os afectos e a sexualidade para uma qualidade de vida mais plena”. Nota que o objectivo das instituições deve ser promover o bem-estar e a qualidade de vida dos utentes. Nota também que os deficientes tendem a desenvolver quadros psicopatológicos com a idade. Apresenta várias situações da sua experiência pessoal:&lt;br/&gt;	•	Rapariga de 36 anos: “A mãe dele não o deixa ir lá a casa e eu tive de fazer aquilo sozinha. Já estou farta de fazer aquilo sozinha.”&lt;br/&gt;	•	Pais perante um projecto de vida a dois: “Já temos uma para cuidar... Depois teríamos dois e já não temos idade para isso.”&lt;br/&gt;	•	Profissionais de instituições (várias ocorrências): “Eles estavam tão agarrados... que tivemos de os separar.”&lt;br/&gt;	•	Casal de namorados: “Quando namoramos um bocadinho na paragem do autocarro toda a gente olha para nós. Porquê, se os outros fazem muito pior?”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nota que intervenções entre pares funcionam muito melhor que sessões individuais ou outras. Apresenta programa de intervenção com oito vertentes. Termina com um desabafo de uma utente no seu gabinete: “Eu não hei-de morrer sem que um homem passe por mim”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;13:05 — Sessão de encerramento. Maria Goretty Ribeiro apela a que todos comecem a trabalhar em conjunto neste tema. Outros membros da mesa salientam que “É a primeira vez que conseguimos falar abertamente sobre sexualidade.” Foi gratificante trabalhar em conjunto com quatro instituições.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma queixa final, “Infelizmente faltaram os decisores políticos, preferiram ficar no gabinete em vez de ouvir problemas que confrontam as instituições.” Como estão presentes representantes da câmara, fico sem saber que decisores faltaram. Será que a organização esperava a presença de membros do governo?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;COMENTÁRIO PESSOAL&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este seminário foi bastante diferente das conferência académicas e profissionais a que já assisti. A qualidade das apresentações e das perguntas foi elevada.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Primeiro, a larga maioria dos apresentadores trabalha no dia-a-dia com deficientes (só tive dúvidas em relação a uma das apresentadoras), frequentemente há largos anos (foram referidos 7 e mais de 30). Acima de tudo, muitos dos apresentadores são também pais de crianças deficientes, ou seja, com experiência em primeira mão das dificuldades. Vários apresentadores contaram experiências pessoais. Em conjunto, os apresentadores terão alguns séculos de experiência acumulada. Considerando que a maioria da plateia era composta por profissionais, tínhamos provavelmente milénios de experiência acumulada entre os 264 participantes. Esta pobre pagina, manta de retalhos de citações soltas, apenas pode esperar capturar o tom geral das apresentações. Aliás, creio que as apresentações apenas afloraram a experiência de cada apresentador, claramente mais à vontade com os seus utentes que com microfones e apresentações.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Contudo, o seminário é também notável por me parecer ter uma tese condutora que unifica as apresentações. Juntando o que sei com o que ouvi no seminário, apresento a minha tese:&lt;br/&gt;	•	Devido ao aumento da esperança de vida dos deficientes e ao aumento do número de pessoas sinalizadas, as instituições vêm-se confrontadas com uma população-alvo cada vez maior.&lt;br/&gt;	•	Devido à melhoria das condições de saúde dos dos deficientes, estes desenvolvem ambições de vida superiores.&lt;br/&gt;	•	Entre estas ambições, o carinho e a sexualidade sobressaem por serem normalmente negados e reprimidos pela família, instituições e pela sociedade em geral.&lt;br/&gt;	•	Contudo, a repressão da sexualidade gera comportamentos problemáticos, especialmente complicados nos utentes internados em instituições. A prazo, gera também problemas psicológicos graves.&lt;br/&gt;	•	Simultaneamente, as instituições que tentam criar condições para que os deficientes possam descobrir e desfrutar da sua sexualidade deparam frequentemente com a incompreensão e a recusa das famílias.&lt;br/&gt;	•	As instituições gostariam de ter mecanismos para levar as famílias a aceitar que a sexualidade faz parte da vida dos deficientes. E, no seu limite natural, a sexualidade culmina no sexo.&lt;br/&gt;	•	O seminário serviu para validar o consenso entre instituições e profissionais, comunicando-o aos decisores políticos de quem as instituições esperam que permitam as mudanças necessárias.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este seminário parece efectivamente uma pedrada do charco. Mas quando se juntam 264 pessoas interessadas e experientes em volta de um tema controverso, não é de esperar outro final.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;COMENTÁRIOS&lt;br/&gt;	•	António Valentim, psicólogo, concorda (via &lt;a href=&quot;https://twitter.com/avalentimpsi/status/5948935840&quot;&gt;twitter&lt;/a&gt;) que os pais também precisam de apoio e refer a escola de pais &lt;a href=&quot;http://criaroutraescola.com/&quot;&gt;Criar Outra Escola&lt;/a&gt; (de que é director).&lt;br/&gt;	•	Vera Gomes Rosa, psicóloga da &lt;a href=&quot;http://www.cercipovoa.org.pt/&quot;&gt;CERCI Póvoa&lt;/a&gt;, esclarece as razões que levaram ao seminário (via email, publicado com permissão): “De modo a cumprir o dever que nos obriga a respeitar os direitos dos nossos clientes, temos de o poder fazer realmente, mesmo quando a família não quer ouvir nem ver os apelos dos seus filhos/tutelandos, apesar da informação que lhes disponibilizamos. No nosso entender tem de existir uma profunda alteração no que respeita aos procedimentos institucionais para com os nossos clientes, pois estamos muito limitados pelo direito de tutela que lhe é conferido pela Lei vigente. Tendo detectado as imensas lacunas de conhecimento, a todos os níveis, que as famílias/tutores possuem, assumimos o compromisso de as esclarecer. Também nós nos vamos actualizando sistematicamente e como tal tornando-nos mais eficazes na nossa intervenção e mais respeitadores no tratamento dos nossos clientes. Há famílias que nos ouvem e que vêm a necessidade de mudar a sua postura, a sua conduta e a sua maneira de pensar. Mas na grande maioria dos casos tal não acontece. Como tal, algo tem de mudar, definitivamente. E se quisermos, como queremos, que as coisas mudem já, no agora, se queremos que estas pessoas que nos solicitam ajuda (que ‘bradam aos Céus’ sim, literalmente, todos os dias, por ajuda, porque querem e merecem ser felizes!), temos que exigir mudanças já, porque os nossos utentes não podem esperar mais — a sua felicidade não pode ser mais adiada. Por isso, estas instituições deste Concelho (AIPN, APJ, CERCIPÓVOA e CERCITEJO) entenderam unir-se em prol desta emergência e felizmente encontramo-nos apoiadas pela nossa Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que se juntou a nós nesta luta.”&lt;br/&gt;	•	Há uma história fascinante por detrás da situação em qua a painelista se surpreende com o microfone. Digamos apenas que o meu comentário dificilmente poderia estar mais longe da realidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;ACTUALIZACÕES&lt;br/&gt;	•	A APJ tinha uma banca com trabalhos realizados pelos seus utentes a partir de sacos de café reciclados que eu, infelizmente, não fotografei.&lt;br/&gt;	•	O Dr. Afonso de Albuquerque é Psiquiatra e Terapeuta Sexual. É antigo Director de Serviço do Hospital Júlio de Matos e antigo Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.&lt;br/&gt;	•	O filme visionado foi realizado pela CERCIPÓVOA (nomeadamente por Sérgio Camacho, Luís Carlos e Vera Rosa) e foi produzido pelo Gabinete de Gestão de Informação e Relações Públicas da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.&lt;br/&gt;	•	Clarifiquei a frase de Vera Rosa: “Temos de poder apoiar quando a família é autista” e não “Temos o poder de apoiar quando a família é autista”. Como as frases foram transcritas a partir da minha memória auditiva, haverá provavelmente outros erros, mesmo quando as frases estão entre aspas. Tais erros só me podem ser imputados a mim e nunca aos apresentadores.&lt;br/&gt;	•	Adoptei a grafia correcta de Maria Goretty Ribeiro (e não Maria Goretti Ribeiro, como estava erradamente no programa).&lt;br/&gt;	•	Clarifiquei que são as “sogras” que se referem aos namorados como “esquisito” e “doida”.</description>
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      <title>O erro de João Bénard da Costa</title>
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      <pubDate>Sat, 13 Jun 2009 18:13:15 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2009/6/13_O_erro_de_Joao_Benard_da_Costa_files/090613-cinemateca.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object610.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:80px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Eu, que frequentei assiduamente a &lt;a href=&quot;http://www.cinemateca.pt/&quot;&gt;cinemateca portuguesa&lt;/a&gt; enquanto estudante universitário, tenho extrema dificuldade em levar os meus filhos adolescentes à cinemateca.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Considerando que eu trabalho e os meus filhos estudam, o horário semanal não existe. Às 15h30 estou a trabalhar mesmo que os meus filhos não estejam na escola; às 21h30 são horas de acalmar e dormir; às 19h00 o trânsito no centro de Lisboa impede quaisquer veleidades.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sobra o fim-de-semana, ou seja, o Sábado. E é aqui que começam os verdadeiros problemas. A programação de Sábado é a “cinemateca júnior” ou a “história permanente do cinema”, o que exclui imediatamente a possibilidade de ver qualquer filme dos ciclos temáticos que celebrizaram a cinemateca. A própria lógica da série “história permanente do cinema” é tal que só raramente os filmes da tarde são apropriados para crianças.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pior ainda, a cinemateca tem a infeliz tendência de fechar nos feriados, pontes e férias escolares. Este sábado, por exemplo, teria sido uma excelente oportunidade de ir à cinemateca... Mas a cinemateca resolveu fazer dupla ponte após os feriados de Quarta e Quinta, pelo que esta semana só houve sessões na Segunda e Terça.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Será assim tão grave que a minha filha não possa frequentar a cinemateca?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Com doze anos, a minha filha talvez já tenha visto mais filmes que eu, entre televisão com gravação em disco, vídeos, DVDs, raros filmes no cinema e raras sessões na cinemateca. Goste-se ou não, ela já tem uma cultura cinéfila que eu só adquiri em adulto. Por exemplo, há dias ao jantar um pires de azeitonas lembrava-lhe uma cena do Rio Bravo... Ignorando o inverosímil da associação, note-se o classicismo da referência.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Muito mais triste foi quando há cerca de um ano ela me perguntou se existe cinema português...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Reconheço o trabalho notável que a cinemateca tem feito e a liderança capaz de João Bénard da Costa, mas acuso-os de celebrar o passado e ignorar o futuro. Para as crianças e jovens actuais, o cinema já não é o objecto de culto visto na sala escura. É a companhia de todos os dias! Como é possível que a cinemateca não chame a si a missão de educar este jovem público?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Resta-me esperar que o continuador do legado de &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_B%C3%A9nard_da_Costa&quot;&gt;João Bénard da Costa&lt;/a&gt; aproveite o melhor do passado mas abrace o futuro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sugiro uma revisão da programação de fim-de-semana, incluindo quer a exibição de filmes ao Domingo quer a elaboração de ciclos especiais durante as férias escolares.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Por muito bom que seja o trabalho feito, há sempre espaço para fazer melhor. Haja vontade!</description>
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      <title>Lições do 7º C</title>
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      <pubDate>Fri, 29 May 2009 01:10:06 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2009/5/29_Licoes_do_7_C_files/20090111-111038.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object611.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:79px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Os pais dos alunos do 7ºC gostariam de partilhar alguns dos esclarecimentos da DREL em relação a questões levantadas pelos pais.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Segunda língua estrangeira&lt;br/&gt;A quase totalidade dos pais dos alunos do 7ºC de 2008/2009 preferia que os filhos aprendessem Espanhol além de Inglês. A escola usou de vários métodos para levar os pais a inscrever os filhos em Francês, dizendo que só tinha professores de Inglês e Francês.&lt;br/&gt;	•	Mito: Os alunos só se podem inscrever nas línguas estrangeiras que a escola oferece.&lt;br/&gt;	•	Facto: Na inscrição os pais manifestam interesse na língua. A escola tenta oferecer as línguas escolhidas, pedindo professores ao ministério se necessário. A escola pode ter de reorganizar as turmas para acomodar os diferentes pedidos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cartão magnético&lt;br/&gt;O cartão magnético é usado para controlar as entradas e como meio de pagamento. Alguns pais queixam-se do custo do cartão e preferiam que os alunos utilizassem directamente dinheiro.&lt;br/&gt;	•	Mito: Os alunos são obrigados a ter um cartão magnético e a usá-lo como meio exclusivo de pagamento.&lt;br/&gt;	•	Facto: A escola só é obrigada a fornecer um cartão de cartolina aos alunos e só lhes pode exigir que usem este cartão. Os diversos serviços da escola (cantina, papelaria) devem aceitar pagamentos em dinheiro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Recibos&lt;br/&gt;A escola tem-se recusado a passar reci­bos de visitas de estudo, alegando que o dinheiro cobrado é entregue directamente a terceiros.&lt;br/&gt;	•	Mito: A escola só passa recibos de quantias pagas à escola com o cartão magnético.&lt;br/&gt;	•	Facto: A escola deve passar recibos de todas as quantias cobradas e de todos os donativos recebidos, mesmo que estes venham a ser utilizados para pagar a terceiros.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Joaquim Baptista, &lt;a href=&quot;mailto:pxquim@gmail.com/&quot;&gt;pxquim@gmail.com&lt;/a&gt;</description>
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      <title>O Ambiente de David Brin</title>
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      <pubDate>Sat, 29 Nov 2008 17:27:03 +0000</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2008/11/29_O_Ambiente_de_David_Brin_files/20081129-184345b.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object612.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:79px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Durante a minha juventude li todos os livros de ficção científica que consegui ler. Ganhei um gosto particular por alguns autores clássicos mas, agora que leio cada vez menos ficção, torna-se difícil encontrar autores que me maravilhem da mesma maneira.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na última feira do livro de Lisboa comprei mais alguns livros de David Brin, de quem já tinha lido “A Guerra da Elevação” e “Maré Alta Estelar”. Estes livros, contudo, não me prepararam para a obra prima que estou a ler, “Terra”. Trata-se da história de uma Terra devastada pela poluição e pelo aquecimento global, escrita em 1990 e recheada de boas hipóteses científicas. Por exemplo, David Brin antecipa a “World Wide Web”, embora use códigos intragáveis em lugar de URLs, e sugere que as lixeiras serão as minas do futuro...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Resta-me agradecer às editoras &lt;a href=&quot;http://www.livrosdobrasil.com/ficc.php&quot;&gt;Livros do Brasil&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.europa-america.pt/index.php?cPath=200_202&quot;&gt;Europa-América&lt;/a&gt; por terem publicado livros de bolso de ficção científica desde que me comecei a interessar pelo género em 1976.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Deixo-vos com uma passagem do livro (página 319).</description>
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      <title>Um pouco de paraíso</title>
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      <pubDate>Wed, 30 Jan 2008 21:46:39 +0000</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2008/1/30_Um_pouco_de_paraiso_files/nao-fumar.png&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object613.png&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:169px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;O meu pai, fumador passivo por razões profissionais, morreu de cancro aos 48 anos quando eu tinha 15 anos. Segundo um médico, tinha “pulmões de fumador”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pouco depois, o meu padrasto tornou-me num forçado fumador passivo em casa. Nunca ninguém me perguntou se gostava do intenso fumo de tabaco ao princípio da noite.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mais tarde, quando veio a vida nocturna associada à Faculdade, o fumo foi sempre um “mal necessário”. Que eu soubesse, não existiam discotecas nem bares onde se proibisse o fumo, ou sequer onde existissem zonas de não fumadores.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Abençoada Irlanda, onde em 2005 tive o imenso prazer de frequentar um &lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Temple_Bar,_Dublin&quot;&gt;pub&lt;/a&gt; com música, &lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Guinness&quot;&gt;guinness&lt;/a&gt; e... ar puro!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mesmo nos meus locais privados, foi sempre necessária alguma argumentação para impedir amigos e convidados de fumar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O meu antigo Renault 5 chegou a ter um dístico de não fumar em frente ao lugar do pendura, que uma amiga minha teimava em tapar cada vez que entrava no carro. “O sinal fazia-lhe confusão”, dizia ela.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando tive casa própria, muita gente estranhava a falta de cinzeiros. Só depois de acenderem o cigarro e pedirem o cinzeiro é que concluíam que talvez tivesse sido uma boa ideia perguntarem primeiro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Recentemente, tenho a experiência do restaurante que frequento quase todos os dias úteis desde 2003. Em cinco anos de aturar fumadores ao almoço, houve exactamente duas pessoas que perguntaram se podiam fumar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na primeira vez, há já alguns anos, a jovem senhora que perguntou, já de cigarro e isqueiro na mão, apressou-se a beber o café e a pagar a conta para poder acender o seu cigarro já no exterior. Era dolorosamente óbvio que ela não esperava ouvir um “não”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A segunda vez aconteceu já em Dezembro passado, quando se sabia que a nova lei ia entrar em vigor. Após o “não”, agradecemos profusamente ao jovem por ter perguntado. Cinco minutos depois, o mesmo jovem acendeu o cigarro sem perguntar. Senti que ficou tudo dito sobre a boa vontade do fumador típico.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Vem este texto a propósito do artigo &lt;a href=&quot;http://dn.sapo.pt/2008/01/30/opiniao/o_ghetto.html&quot;&gt;“o ghetto”&lt;/a&gt; de Vasco Graça Moura, que afirma “os fumadores estão, na sua esmagadora maioria, perfeitamente dispostos a respeitar os não fumadores, desde que a inversa seja verdadeira.” Não creio que alguma vez tenha desrespeitado um fumador mas, em 5 anos de almoços, terei respirado o fumo de 6000 a 36000 cigarros (5 a 30 por almoço), contra 1,5 perguntas de “importa-se que eu fume?”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Após 27 anos de resignação silenciosa, foi-me permitido sair do meu ghetto. Pela parte que me toca, “não fumar” rima com paraíso.</description>
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      <title>A revolução da ASAE</title>
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      <pubDate>Sat, 5 Jan 2008 13:55:00 +0000</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2008/1/5_A_revolucao_da_ASAE_files/25abril-jcfernandes.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object614.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:79px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Há muitos anos, antes de Portugal aderir à CEE, houve uma greve de zelo nas alfândegas portuguesas: durante três dias, não saiu um único pacote das alfândegas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Concluí na altura que Portugal funcionava precisamente por as leis não serem cumpridas, o que nos leva a vários corolários:&lt;br/&gt;	•	Se a lei fosse cumprida, Portugal deixaria de funcionar.&lt;br/&gt;	•	As leis foram escritas sem preocupação com o seu cumprimento ou, possivelmente, na expectativa que não venham a ser cumpridas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Outro corolário é que os polícias (ou &lt;a href=&quot;http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2008/01/business-of-fiscalizing.html&quot;&gt;fiscais&lt;/a&gt;) responsáveis por fazer cumprir a lei detêm um poder arbitrário sobre os cidadãos:&lt;br/&gt;	•	Normalmente, as coisas funcionam por eles ignorarem ou aplicarem selectivamente a lei.&lt;br/&gt;	•	Se um polícia quiser implicar com um cidadão, basta-lhe cumprir a lei à risca.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Lembro-me de um episódio passado na Avenida da Liberdade nos anos 80: um polícia multava dois carros numa das laterais da Avenida da Liberdade. Como tinha a carta há pouco tempo e costumava estacionar naquela zona, perguntei ao polícia porque razão passava aquelas multas. O polícia, muito solícito, indicou-me o artigo da lei que ia aplicar: era proibido estacionar do lado esquerdo das vias. Confrontado com a fila de carros estacionados na esquerda até ao cimo da Avenida, afirmou:&lt;br/&gt;— Temos ordens para fechar os olhos a isso, excepto aqui em frente ao consulado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este poder da polícia é muito conveniente para um estado totalitário. Embora o 25 de Abril tenha acabado formalmente com a ditadura, alguns dos seus hábitos perduraram, pois:&lt;br/&gt;	•	Alguns dos intervenientes na revolução dos cravos queriam implantar uma ditadura comunista, que exige os mesmos mecanismos policiais.&lt;br/&gt;	•	As instituições públicas (e os funcionários públicos) não sabiam funcionar de outra maneira.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tivemos assim uma geração que, tendo acabado com a guerra colonial e com a opressão da PIDE, continuou a conviver alegremente com a pequena corrupção e com o corporativismo, culminando nas várias épocas de caça ao subsídio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É neste contexto que aparece a &lt;a href=&quot;http://www.asae.pt/&quot;&gt;ASAE&lt;/a&gt; (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), uma polícia que quer, muito simplesmente, cumprir estritamente a lei.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Obviamente, a acção da ASAE colide frontalmente com o sistema instalado, gerando a &lt;a href=&quot;http://www.asae.pt/pagina.aspx?back=1&amp;codigono=59895990AAAAAAAAAAAAAAAA&quot;&gt;confusão&lt;/a&gt;. As leis, escritas por advogados e para advogados, são desorganizadas, vagas, ambíguas, e irrealistas:&lt;br/&gt;	•	A selva de leis, interpretações e ofícios internos, em mutação constante, significa que a simples tarefa de saber qual é o texto da lei que se aplica é um trabalho a tempo inteiro. Embora cada cidadão deva conhecer a lei, isso é na prática impossível.&lt;br/&gt;	•	Em tribunal, os advogados conseguem as mais variadas interpretações da mesma lei ao argumentar sobre o significado exacto de cada pequeno pormenor da letra ou do espírito da lei.&lt;br/&gt;	•	Existem muitas leis que parecem feitas para não ser cumpridas. A ser cumpridas, exigiriam um polícia a cada esquina ou, em alternativa, a extinção pura e simples daquilo que tentam regular.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Assim, o facto de o presidente da ASAE, António Nunes, &lt;a href=&quot;http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1315375&quot;&gt;estar a fumar&lt;/a&gt; &lt;a href=&quot;http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/europe/article3129006.ece&quot;&gt;num casino&lt;/a&gt; após a entrada em vigor da proibição de fumar em locais fechados tanto pode ser um acto de arrogância como uma inteligente &lt;a href=&quot;http://dn.sapo.pt/2008/01/02/sociedade/saude_e_fiscalizacao_discordam_aplic.html&quot;&gt;chamada de atenção&lt;/a&gt; para a falta de qualidade do edifício legislativo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em resumo, uma polícia eficaz e cumpridora coloca novos desafios ao país:&lt;br/&gt;	•	O legislador tem que ser claro e realista.&lt;br/&gt;	•	O cidadão tem de poder aplicar as leis.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O resultado desta evolução será mais transparência, menos corrupção, melhor democracia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A ASAE traz consigo a esperança que exista um 26 de Abril depois do 24 e do 25. É a revolução a prosseguir... 33 anos depois.</description>
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      <title>Benvindo ou bem-vindo?</title>
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      <pubDate>Sat, 22 Dec 2007 12:26:28 +0000</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Entries/2007/12/22_Benvindo_ou_bem-vindo_files/knuth_don.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://pxquim.com/pt/Berrar/Media/object615.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:166px; height:79px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Um colega bem intencionado lembrou-me que se escreve “bem-vindo” e não “benvindo”. Confirmei-o no &lt;a href=&quot;http://flip.pt/&quot;&gt;FLiP&lt;/a&gt; e na minha velhinha 5ª edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas lembrei-me imediatamente de “&lt;a href=&quot;http://www-cs-faculty.stanford.edu/~knuth/email.html&quot;&gt;a note on email versus e-mail&lt;/a&gt;” onde &lt;a href=&quot;http://www-cs-faculty.stanford.edu/~knuth/index.html&quot;&gt;Donald Knuth&lt;/a&gt;, o respeitado matemático, tipógrafo, e informático, descreveu a criação de palavras compostas, dando como exemplo as palavras “email”, “nonzero”, e “software”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma &lt;a href=&quot;http://www.google.com/search?q=benvindo+site:.pt&quot;&gt;pesquisa de benvindo em sites portugueses&lt;/a&gt; revela muitas pessoas a usar a grafia benvindo com o significado de bem-vindo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Variando a pesquisa, o domínio .pt tem:&lt;br/&gt;	•	461.000 páginas com &lt;a href=&quot;http://www.google.com/search?q=%22bem-vindo%22+site:.pt&quot;&gt;bem-vindo&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;	•	326.000 páginas com &lt;a href=&quot;http://www.google.com/search?q=%22bem-vinda%22+site:.pt&quot;&gt;bem-vinda&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;	•	268.000 páginas com &lt;a href=&quot;http://www.google.com/search?q=benvindo+site:.pt&quot;&gt;benvindo&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;	•	8.030 páginas com &lt;a href=&quot;http://www.google.com/search?q=benvinda+site:.pt&quot;&gt;benvinda&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;As 268000 páginas com benvindo incluirão também referências ao nome próprio Benvindo, que são difíceis de separar. Contudo, o Google encontra apenas 8030 páginas com Benvinda, pelo que talvez não haja assim tantos Benvindos em Portugal. Por exemplo, as &lt;a href=&quot;http://pbi.pai.pt/&quot;&gt;Páginas Brancas&lt;/a&gt; encontram apenas &lt;a href=&quot;http://pbi.pai.pt/search/benvindo.html&quot;&gt;142 Benvindos&lt;/a&gt; com telefone em Portugal.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Perante cerca de 25% de grafias erradas, atrevo-me a dizer que talvez estejamos a assistir à evolução de uma palavra...</description>
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